Trabalhos da Adapar garantem sanidade na cultura da banana no Paraná
30/09/2021 - 11:43

Fiscais de Defesa Agropecuária da Adapar executaram ações de contenção e erradicação de foco da praga quarentenária Moko da Bananeira, no município de Guaratuba, litoral paranaense. A ação se desenvolveu imediatamente após a confirmação da ocorrência de um foco da praga.  A partir desse foco, foi delimitado um raio de cinco quilômetros a serem monitorados, desencadeando-se fiscalizações em 121 áreas com produção de Bananas, totalizando mais de 638 hectares.

Visando a detecção precoce das pragas quarentenárias nas culturas de importância agrícola, a Adapar realiza levantamentos fitossanitários constantemente nas diversas culturas de importância e foi graças a esse trabalho de vigilância ativa, que o Moko da Bananeira (doença causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2) foi detectado.

A Adapar executou diversas ações de vigilância das pragas, tendo o suporte de drones para o levantamento de detecção do Moko da bananeira na área onde foi identificada a praga. Essa ação teve papel fundamental, pois alcançou áreas de difícil acesso, agilizou procedimentos e ampliou o número de plantas suspeitas inspecionadas.

“O uso de Drones em levantamentos fitossanitários na bananicultura, é um exemplo da potencialidade de uso dessa ferramenta que amplia a capacidade de vigilância, proporcionando mais agilidade nas ações de prevenção e controle de pragas”, afirma o Coordenador do Programa de Vigilância e Prevenção de Pragas da Fruticultura da Gerência de Sanidade Vegetal - GSV, Paulo Marques.

Toda a ação de monitoramento foi executada pela ADAPAR, sendo que o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA supervisionou e reconheceu oficialmente os trabalhos realizados para a erradicação do foco, em conformidade com a legislação. Isto possibilitou a permanência do status fitossanitário do Paraná como Estado SEM OCORRÊNCIA de Moko da Bananeira, evitando que outros estados pudessem impor restrições ao trânsito e comercialização das bananas produzidas em nosso estado.

Todos os procedimentos para erradicação da praga seguiram a legislação fitossanitária vigente, principalmente a norma específica da Praga, a IN 17/2009 do MAPA. Inicialmente, foram erradicadas todas as touceiras num raio de 10 metros a partir da planta foco. Posteriormente, todo o talhão foi erradicado e desinfetado, evitando que a praga se estabelecesse e se espalhasse para outras áreas. As ações fitossanitárias que culminaram com a erradicação da praga, iniciaram-se em novembro de 2020 e foram finalizadas em julho deste ano. Porém, a área continuará sendo acompanhada pela Adapar, para evitar o reaparecimento da praga.

MOKO DA BANANEIRA - O Moko da bananeira, causado pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2, é uma praga quarentenária presente, com ocorrência atual nas regiões norte e nordeste do Brasil. Essa bactéria, é capaz de causar danos em cerca de 450 espécies de plantas pertencentes a mais de 54 famílias botânicas, entre as quais culturas de alto valor econômico como a banana, sendo uma das principais doenças da cultura. O agente é um patógeno altamente destrutivo, ocasionando sintomas em todos os órgãos da planta (doença vascular sistêmica), que podem refletir na perda total da produção. Essa praga é disseminada por meio de mudas contaminadas, uso de ferramentas infectadas durante os tratos culturais, água de superfície (irrigação e enxurrada) e através de insetos e nematóides. Também pode haver transmissão por restos culturais e entre as raízes de plantas doentes e sadias. “A detecção precoce e a rápida erradicação das plantas infectadas são fundamentais para o controle do Moko, evitando que ele se estabeleça no estado e passe a causar prejuízos aos nossos produtores de banana”, afirma Marques.

Entre os impactos que essas pragas podem causar estão a redução na produção, perda de mercados devido a barreiras fitossanitárias, aumento dos gastos com controle, contaminação ambiental e dos alimentos, devido ao aumento na aplicação de agrotóxicos.

Segundo Paulo Marques, o Moko da bananeira está restrito a algumas regiões do país, por esse motivo, está sob controle oficial. A praga está presente nos estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Sergipe, conforme IN MAPA no 38/2018.

A Gerência de Sanidade Vegetal da Adapar alerta aos bananicultores sobre a importância de que não sejam adquiridos materiais de propagação de banana de origem desconhecida, uma vez que essa tem sido uma importante via de disseminação de pragas. Além disso, deve-se evitar a introdução de mudas de bananeira sem as garantias fitossanitárias adequadas, porque mesmo mudas assintomáticas podem estar contaminadas.

Em caso de identificação de sintomas característicos da doença, como exsudação de pus bacteriano, escurecimento dos vasos do xilema, má formação foliar, necrose a amarelecimento e murcha das folhas, os produtores, responsáveis técnicos, extensionistas ou pesquisadores devem comunicar imediatamente a ADAPAR.  A comunicação pode ser realizada diretamente no Site da Adapar, através do formulário eletrônico de Notificação de Ocorrência Fitossanitária em cultivo de interesse econômico.

http://www.adapar.pr.gov.br/Formulario-de-Notificacao-de-Ocorrencia-Fitossanitaria-em-Cultivo-de-Interesse-Economico

No Sistema Estadual de Certificação Fitossanitária (Adapar/SDSV) existem atualmente 254 Unidades de Produção (UP) de banana sendo acompanhadas por Engenheiros Agrônomos Responsáveis Técnicos, com uma área certificada de 3.737,28 ha (44 % da área com banana no estado). Essa área tem sua produção apta para ser comercializada para qualquer estado da Federação, e também para a exportação. Portanto, o restante da área, cerca de 4.760 ha, é de produção fora do sistema de certificação, desenvolvida por pequenos produtores, algumas vezes com menor emprego das tecnologias previstas para a cultura, sendo a produção menos tecnificada e com destino para o comércio local ou mesmo para subsistência.

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