Fiscalização integrada reforça monitoramento de planta daninha em divisa no Sul do Estado 26/03/2026 - 15:03

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), realizou uma ação integrada com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) sobre o Amarantus palmeri (caruru-gigante). A ação aconteceu nos dias 24 a 26 de março, no município catarinense de Campo Erê. Além da Divisão de Sanidade de Cultivos Agrícolas e Florestais (Dicaf), a agência também foi representada por fiscais dos Escritórios Regionais de Francisco Beltrão e Pato Branco, no Sudoeste do Estado.

A atividade teve como objetivo acompanhar e conhecer de perto as ações de levantamento da ocorrência de Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante. A espécie é considerada uma planta daninha de alto potencial invasivo e foi identificada no Brasil, de forma oficial, em 2015, em um relatório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A praga representa um desafio fitossanitário com possibilidade de grande impacto econômico para a agricultura brasileira.

O chefe da Dicaf, Marcílio Martins Araújo, explica a escolha do local em que a ação foi realizada. “Por estar localizada em área de divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina, a iniciativa priorizou o entendimento das características da planta, sua distribuição na área afetada e os diferentes estágios de desenvolvimento observados em campo” afirma o engenheiro agrônomo.

AÇÕES – Os profissionais da Adapar realizaram inspeções no entorno da área de ocorrência, abrangendo um raio de até cinco quilômetros. Foram vistoriadas propriedades rurais e lavouras, além da realização de ações de orientação junto aos produtores. Durante as visitas, foram repassadas informações técnicas sobre a identificação do caruru-gigante e reforçada a importância da comunicação imediata em caso de suspeita ou detecção da espécie.

A ação também destacou a relevância da vigilância constante e do estudo dos possíveis meios de dispersão das sementes, especialmente relacionados à movimentação de máquinas agrícolas. A fiscalização quanto à limpeza adequada desses equipamentos é considerada fundamental para evitar a propagação da planta.

O acompanhamento do foco em Santa Catarina permite avaliar o potencial de dispersão da espécie, bem como os desafios associados ao seu controle em caso de introdução em novas áreas. Há indícios de que a contaminação possa estar relacionada ao transporte de resíduos industriais ou materiais oriundos da limpeza de cereais, o que reforça a necessidade de atenção por parte de produtores, transportadores e demais envolvidos na cadeia produtiva.

CARACTERÍSTICAS DA PLANTA – A espécie é nativa da América do Norte e centro-sul dos Estados Unidos. A primeira aparição no Brasil confirmou a resistência ao glifosato, herbicida que atua sobre uma ampla gama de ervas daninhas, sendo relevante na produção de frutas, hortaliças, nozes e culturas resistentes, como milho e soja. O produto é eficaz no controle de ervas daninhas invasoras e nocivas, e a resistência do caruru-gigante é um alerta.

O potencial de multiplicação de uma planta fêmea pode alcançar cifras de 600.000 até 1.000.000 de sementes, que formam um banco de sementes persistentes, podendo permanecer vários anos no solo. A planta também tem germinação escalonada, o que é preocupante, pois as sementes germinam em fluxos ao longo das safras, o que torna o controle com apenas uma aplicação de herbicida insuficiente. O crescimento acelerado de dois a três centímetros por dia pode sufocar as culturas cultivadas invadidas.

Os primeiros registros do Amaranthus palmeri no Brasil aconteceram em áreas de produção de algodão, soja e milho no estado de Mato Grosso. A planta daninha exótica apresenta alta resistência a herbicidas e se espalhou para outros estados, como é o caso do Mato Grosso do Sul e, mais recentemente, em São Paulo.

Desde a sua introdução no território brasileiro, a praga vem sendo monitorada. Após a primeira aparição, foram reconhecidos casos em Mato Grosso do Sul, no ano de 2022, e em São Paulo, neste. A confirmação da incidência da praga resulta em prejuízos em diversas culturas e na economia da região afetada, e isso requer a identificação de novos métodos de controle.

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