Adapar integra reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira para o crescimento da cadeia leiteira no Sul 05/03/2026 - 10:35
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) participou, na manhã desta terça-feira (3), da reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB), que aconteceu em Curitiba, na sede do Sistema da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Na ocasião, os membros da aliança apresentaram pautas relativas ao crescimento da cadeia leiteira do Sul do Brasil. Foram debatidas formas para aumentar a competitividade internacional da região, a necessidade de uma escala de produção padronizada, uma reestruturação logística e a importância sanitária.
Os objetivos foram definidos a partir de um plano de trabalho de implantação do modelo de negócio de exportação de lácteos, que inclui, entre outras medidas, a implantação de um programa de incentivo à exportação de leite pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Participaram representantes de órgãos ligados à cadeia leiteira do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Mato Grosso do Sul. Também estiveram presentes atores da iniciativa privada e membros do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul).
Trabalhar para diminuir a volatilidade de preços e melhorar a infraestrutura em pontos específicos da cadeia, desde a produção, até a participação da indústria e o transporte, é uma das medidas que compõe o plano de ação. A estratégia sugerida para superar os desafios é oferecer condições atrativas para que indústrias do setor realizem investimentos voltados à exportação. A ideia é a implantação do modelo de negócio de exportação de laticínios em paralelo a estratégias relacionadas ao trabalho constante de sanidade no seguimento.
A mitigação da brucelose e da tuberculose bovinas foi um dos assuntos abordados, com o intuito de buscar formas para a erradicação das condições por meio de metodologias de controle sobre as doenças. O resultado esperado é um impacto positivo na economia, na qualidade de produção e no valor agregado dos produtos lácteos produzidos nos Estados do Sul.
O diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, comentou sobre o combate às doenças dentro do plano. “Com relação à brucelose, estamos trabalhando junto com o Tecpar para que, até o final do ano, comece a produção de antígeno no Estado e, com relação ao plano, a vacinação continuará nos Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, que ainda não são livres da doença”, salienta o gestor.
O representante da autarquia também falou sobre o planejamento de uma ação integrada com uma pesquisadora de Lavras, no Estado de Minas Gerais, que irá abordar sobre a efetividade das vacinas utilizadas atualmente. “Estamos com planos de promover uma conversa com uma professora da Universidade Federal de Lavras, especialista em brucelose, para discutir sobre a eficiência da vacina B19, que confere uma imunidade de 80%, o que resulta em 20% do rebanho sem a imunização, e a necessidade do reforço com a B51”, elucida.
NÚMEROS – A cadeia leiteira do Paraná conta com números expressivos em relação ao cenário nacional. Individualmente o Estado é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com uma média de 4,6 bilhões de litros de leite produzidos em 2024, atrás apenas de Minas Gerais, que acumulou 9,7 bilhões de litros no mesmo ano. O município com a maior bacia leiteira do país é Castro, que fica na região dos Campos Gerais do Paraná, com uma produção média de mais de 400 milhões de litros de leite anualmente.
Em números apresentados durante a reunião, a produção de leite no Paraná, até o terceiro trimestre de 2025 cresceu em 11,3% se comparada com o mesmo período de 2024. Isso representa mais de 3,3 bilhões de litros produzidos. A média de crescimento da região Sul do Brasil foi de 8,8%.
BRUCELOSE E TUBERCULOSE – Condições de saúde que acometem bovinos afetam diretamente a criação dos animais a depender da finalidade – corte, reprodução ou produção de leite. No caso das vacas leiteiras, a brucelose e a tuberculose são doenças relevantes, uma vez que estão diretamente associadas ao produto final, além da saúde dos animais. A Adapar conta com um conjunto de ações para o controle e a mitigação de danos que podem ser resultado das enfermidades.
Em 2025, foi desenvolvido um conjunto de ações com foco controle das doenças em várias regiões do Estado. A iniciativa foi do Departamento de Saúde Animal (Desa) da agência, e foi desenvolvida pelos servidores que são parte da Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose. Foram realizadas palestras que atualizaram os médicos veterinários habilitados e cadastrados no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT) acerca das técnicas de controle e prevenção.
Já neste ano a autarquia publicou a portaria N.° 013/2026, que estabelece que as propriedades com animais que atestaram positivos para uma das doenças não podem movimentar seus animais, exceto para abate imediato, até a conclusão total do saneamento.
ALSB – Constituída originalmente como fórum público-privado com o objetivo de desenvolver e fomentar a implementação de um plano que harmonize o ambiente produtivo, industrial e comercial dos três Estados da região Sul, a aliança contribuiu com o início de um grupo de fornecimento de leite e derivados de qualidade, buscando atender bem o mercado interno e alcançar mercados externos.


















