Adapar integra projeto de rastreamento microbiológico do solo do Brasil, que chega a Guarapuava 30/04/2026 - 14:00
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) marca presença central na segunda etapa de coletas do Projeto Solo Vivo Paraná, que chega a Guarapuava nesta terça-feira, 28 de abril, estendendo-se até quarta-feira, 29. A agência lidera o monitoramento fitossanitário no Projeto Solo Vivo Paraná, iniciativa inédita que utiliza metagenômica para orientar políticas públicas agrícolas no Estado. A ação integra o maior plano de rastreamento microbiológico do solo já realizado na agricultura brasileira e reforça o papel estratégico da agência na defesa sanitária vegetal do Estado.
A iniciativa é conduzida em parceria entre o Governo do Estado do Paraná e a empresa de análises genéticas GoGenetic. A execução é responsabilidade do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A atuação da agência acontece por meio de uma parceira estratégica na coleta e na interpretação dos dados integrada com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).
As amostras são retiradas de lavouras de soja, milho e trigo, culturas representativas do contexto agrícola regional, que abrange também cevada e cana-de-açúcar. A tecnologia empregada é a metagenômica do solo, baseada em sequenciamento genético do DNA do solo, transformando esses dados em informações aplicadas para o manejo mais preciso das áreas agrícolas.
Para a Adapar, a participação no projeto representa um salto qualitativo no monitoramento da sanidade vegetal paranaense. O chefe da divisão de sanidade da Fruticultura da agência, Paulo Marques, destaca que a iniciativa complementa os programas de vigilância já em andamento.
“Esse trabalho vai somar aos programas de vigilância que já realizamos, permitindo uma visão mais completa da situação fitossanitária. Além da parte aérea, passamos a compreender também a biologia do solo e a variação de microrganismos, o que é extremamente relevante para a defesa sanitária vegetal”, afirma.
A participação da agência vai além da coleta de amostras: as equipes técnicas que da irão atuar na interpretação dos dados gerados pela metagenômica, integrando os resultados às suas estratégias de controle e prevenção de pragas presentes no solo. doenças do solo. O objetivo é que as informações subsidiem recomendações técnicas regionalizadas e políticas públicas voltadas à saúde do solo em todo o Paraná.
INÍCIO – Desde o lançamento do projeto, em 25 de março, a Adapar esteve presente. As primeiras coletas foram realizadas em Guaratuba, no Litoral paranaense. Os trabalhos ocorreram em uma fazenda com áreas de produção de banana e pupunha. A ação contou com participação direta de técnicos da autarquia e da Secretaria da Pesca e Agricultura do município.
A etapa também contou com coletas de amostras em áreas de Mata Atlântica próximas às lavouras, permitindo comparações entre ambientes produtivos e naturais, o que é um dado relevante para a análise fitossanitária conduzida pela agência.
O engenheiro agrônomo Bruno Araújo, responsável pela condução técnica das atividades, ressaltou o impacto da metodologia para a agricultura paranaense: “O projeto traz uma nova camada de informação. A partir da microbiologia do solo, conseguimos antecipar riscos e orientar o manejo de forma mais eficiente, especialmente com o uso de soluções biológicas”.
OBJETIVO ESTADUAL – O Projeto Solo Vivo Paraná foi estruturado para refletir a diversidade produtiva do estado. Ao longo da execução, com acompanhamento técnico da Adapar em diferentes frentes, serão avaliados contextos agrícolas e ambientais variados, com focos específicos por cultura e região, sendo eles: banana no Litoral, com atenção a doenças como fusariose e murcha bacteriana; citros no Norte, com monitoramento do greening (HLB); mandioca no Norte e Noroeste; café e goiaba em áreas certificadas; amoreira para a sericicultura no Norte Pioneiro; e as grandes culturas de soja, milho, trigo, cevada e cana-de-açúcar. Além disso, solos degradados serão avaliados com foco em diagnóstico e regeneração.
O chefe da divisão de Sanidade de Cultivos Agrícolas e Florestais da Adapar, Marcílio Martins Araújo, avalia a importância das ações realizadas pelo projeto. “O conhecimento prévio da presença de inóculos no solo, das possibilidades de manejo e uso de bioinsumos visando a prevenção de sua ocorrência, potencializa os produtores, os técnicos da assistência, a defesa vegetal, conhecer e adotar práticas que possibilitem a tomada de decisões antecipadas, visando a proteção dos cultivos”, pontua.
“Esse conhecimento prévio, aliado as condições físicas, condições químicas e manejo adequado das culturas, subsidia a sustentabilidade dos sistemas produtivos paranaenses. Conhecer, prevenir, adotar as melhores técnicas de manejo, reduzir custos e minimizar o uso de produtos químicos, é pensar e adotar medidas visando manter o potencial produtivo de nosso Estado”, finalizou o engenheiro agrônomo.
Ao todo, serão 8.400 pontos amostrados, resultando em aproximadamente 700 análises metagenômicas completas. Os dados serão interpretados pelas equipes da Adapar e do IDR-PR, com o objetivo de estruturar um plano de monitoramento contínuo em todo o estado e promover a transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis.
CIÊNCIA E POLÍTICA PÚBLICA – Um dos pilares do projeto é garantir que os dados gerados não se restrinjam ao ambiente acadêmico. Os resultados serão convertidos em recomendações técnicas concretas para agricultores, orientações de manejo por cultura e região, e subsídios para políticas públicas com foco na saúde dos solos.
Com o TecPar atuando como elo entre pesquisa e aplicação prática, o Paraná se move para um modelo agrícola baseado em dados, prevenção e compreensão do sistema biológico do solo. Isso posiciona o Estado não apenas como um dos maiores polos agrícolas do país, mas como referência em sustentabilidade e longevidade dos seus sistemas produtivos.








