Adapar reforça ações de vigilância sanitária na Avicultura após confirmação de foco de Doença de New Castle em Santa Catarina 22/10/2026 - 16:00
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) intensificou as ações de vigilância sanitária em todo o estado para prevenir a introdução e a disseminação da Doença de Newcastle. A medida foi tomada após a confirmação de um foco da zoonose em uma criação comercial de peris na cidade de Nova Itabera, em Santa Catarina. Até o momento, os resultados laboratoriais dos programas de monitoramento não indicam a detecção da doença nem de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no Paraná.
A fiscalização do trânsito de aves vivas, especialmente frangos e perus, foi reforçada tanto nos postos fixos das divisas estaduais quanto em operações de fiscalização volante no interior. Os fiscais da autarquia verificam a documentação sanitária, a origem e o destino das cargas e o cumprimento das exigências de transporte, incluindo os procedimentos de limpeza e desinfecção dos veículos.
Equipes do Serviço Veterinário Oficial também permanecem mobilizadas para inspecionar propriedades, acompanhar as condições sanitárias dos plantéis e investigar de imediato qualquer suspeita de doença. O chefe do Departamento de Saúde Animal (Desa), Rafael Gonçalves Dias, ressalta a relevância das ações preventivas continuadas na avicultura, tanto para a saúde única quanto para a economia paranaense.
“Tendo em vista que o Paraná é o maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil, sendo responsável por aproximadamente 35% da produção nacional, faz-se necessária a atuação contínua da Adapar na proteção dos nossos plantéis, ao orientar nossos produtores e fiscalizar as propriedades as nossas divisas, uma vez que isso fortifica a relação com mercados mais exigentes e contribui diretamente com a qualidade da proteína animal que chega à mesa do consumidor paranaense”, avalia o médico veterinário.
Em 2025, o Estado produziu cerca de 5 milhões de toneladas de carne de frango e exportou 2,05 milhões de toneladas, movimentando US$ 3,53 bilhões. A carne de aves paranaense chegou a 150 mercados internacionais, tendo como principais compradores os Emirados Árabes Unidos, a China, o México, o Japão e a Arábia Saudita.
VIGILÂNCIA ATIVA E PASSIVA – O Paraná mantém um programa permanente de vigilância epidemiológica para Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e Doença de Newcastle, com ações ativas e passivas em estabelecimentos avícolas de diferentes categorias. Nos dois últimos ciclos concluídos, todos os resultados laboratoriais foram negativos.
No ciclo 2024/2025, 434 propriedades foram monitoradas em 195 municípios, com 120 fiscais de defesa agropecuária. No período de 2025/2026, foram 487 propriedades em 186 municípios, com a participação de 141 fiscais, que representaram 105 escritórios locais. Neste ano, representando o início do ciclo 2026/2027, a previsão é de que sejam monitoradas 476 propriedades em 172 municípios, com previsão de participação de 143 fiscais.
A vigilância passiva é realizada com base em notificações e investigações de suspeitas, além de ser contínua durante todo o ano. Em 2025, foram conduzidas 112 investigações, todas negativas para as duas doenças. Em 2026, até a data de referência dos dados, foram realizadas nove investigações, também sem resultado positivo.
GARANTIAS SANITÁRIAS E EXPORTAÇÕES – A Adapar atua em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), fornecendo informações técnicas e epidemiológicas que subsidiam as garantias sanitárias oficiais apresentadas pelo Brasil aos mercados internacionais. Esses dados são oriundos dos programas de vigilância realizados ao decorrer de cada ano, das investigações casos suspeitos, do monitoramento dos estabelecimentos comerciais e de subsistência, da fiscalização do trânsito – estadual e interestadual – e das ações de controle sanitário, executadas por equipes das 22 regionais da agência.
A negociação para a retomada das exportações e o reconhecimento das garantias pelos países importadores são atribuições do Mapa, em articulação com as autoridades sanitárias internacionais.
ALERTA AOS PRODUTORES – A principal orientação aos produtores, responsáveis técnicos e empresas avícolas é que reforcem imediatamente as ações de biosseguridade, diante da ocorrência de focos próximos à região. Entre as recomendações estão: manter as estruturas dos aviários em boas condições, sem frestas, com telas íntegras e portões fechados, inclusive no intervalo sanitário; restringir rigorosamente a entrada de pessoas e veículos, permitindo apenas acessos essenciais e controlados; e usar uniformes e calçados exclusivos, com troca de roupas e higienização das mãos antes de entrar nas instalações;
Também é necessário manter em pleno funcionamento os sistemas de limpeza e desinfecção, com diluição correta, tempo de contato adequado e boa cobertura; intensificar o controle de roedores; evitar o trânsito de colaboradores entre a avicultura e outras atividades pecuárias e quando inevitável, cumprir os procedimentos de higiene e troca de roupas e calçados; garantir a qualidade da água fornecida às aves, com sistemas de tratamento e cloração central em boas condições; impedir o contato das aves comerciais com aves silvestres e sinantrópicas, especialmente pombos; e monitorar diariamente a sanidade dos plantéis, atentando para mudanças de comportamento, consumo de água e ração, sinais clínicos e mortalidade.
A Adapar reforça que qualquer suspeita de doença, caracterizada por sinais clínicos e/ou aumento da mortalidade das aves, deve ser notificada imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial, para que as investigações e medidas sanitárias sejam adotadas.



